quarta-feira, 6 de junho de 2012

Jovem Guarda

Jovem Guarda

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A Jovem Guarda foi um movimento cultural brasileiro, surgido em meados da década de 1960, que mesclava música, comportamento e moda.
Surgida em agosto de 1965, a partir de um programa televisivo exibido pela TV Record, em São Paulo, apresentado pelo cantor e compositor Roberto Carlos, conjuntamente com o também cantor e compositor Erasmo Carlos e da cantora Wanderléa, a Jovem Guarda deu origem a toda uma nova linguagem musical e comportamental no Brasil. Sua alegria e descontração transformaram-na em um dos maiores fenômenos nacionais do século XX.[1]
Sua principal influência era o rock and roll do final da década de 1950 e início dos 1960,[2] Grande parte de suas letras tinham temáticas amorosas, adolescentes e açucaradas - algumas das quais, versões de hits do rock britânico e norte-americanos da época.
Por essa inspiração, a Jovem Guarda tornou-se o primeiro movimento musical no país que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock da época, catalisado especialmente pelos Beatles.[3][4]
Além de Roberto, Erasmo e Wanderléa, destacaram-se no movimento artistas como Ronnie Von, Eduardo Araújo, Wanderley Cardoso, Sérgio Reis, Sérgio Murilo, Jerry Adriani, Evinha, Martinha, Lafayette, Vanusa, além de bandas como Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, Lafayette e seu conjunto, Deny e Dino, Trio Esperaa, Os Incríveis, Os Vips e The Fevers.[1][3]
Fenômeno midiático que arrastou multidões, também designado como iê-iê-iê, em alusão direta à musica dos Beatles, a Jovem Guarda era vista com restrições por setores da crítica, uma vez que sua música era considerada alienada pelo público engajado, mais afeito, primeiro à bossa nova e, depois, às canções de protesto dos festivais.


Origens

O programa "Jovem Guarda" foi uma criação da agência de propaganda Magaldi, Maia e Prosperi para a grade de programação da TV Record. A demanda veio com a proibição das transmissões ao vivo das partidas de futebol aos domingos.[1]
Os idealizadores do programa inspiraram-se em uma frase do revolucionário russo Vladimir Lenin, onde dizia "O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada".[5] Eles vincularam a expressão com a imagem dos então emergentes cantores Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.[1][3]

Auge e fim

Roberto Carlos, principal ídolo da Jovem Guarda.
Amparado por gravadoras e campanhas publicitárias, rapidamente o movimento repercutiu em termos de vendagens e de popularização dos seus ídolos. Fenômeno de audiência, o programa de auditório levava ao Teatro Record centenas de jovens, atraídos pelos trio Roberto-Erasmo-Wanderléa, além de artistas convidados.[1] No ápice da sua popularidade, chegou a atingir 3 milhões de espectadores só em São Paulo - fora as cidades para onde chegava em videotape, como as capitais Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife.[3]
Mais do que um fenômeno televisivo, a Jovem Guarda impulsionou o laamento de discos, roupas e diversos acessórios.[3] Todo um comportamento jovem daquele período foi formatado a partir do programa e seus apresentadores.[1] O modo de se vestir (caas colantes de duas cores em formato boca-de-sino, cintos e botinhas coloridas, minissaia com botas de cano alto) bem como as gírias e expressões ("broto", "carango", "legal", "coroa", "barra limpa", "lelé da cuca", "mancada", "pão", "papo firme", "maninha", "pinta", "pra frente", e a clássica "é uma brasa, mora?") viraram referência para muitos adolescentes do período.[1][3][6]
No final de 1968, Roberto Carlos deixou o programa de auditório. Sem seu principal ídolo, a TV Record retirou o programa do ar. Desta maneira, o movimento como um todo perdeu força, até que desaparecer no final da década de 1960.

Legado

Artistas da Jovem Guarda em show na década de 2000.
Com o fim do movimento, os artistas da Jovem Guarda tomaram três caminhos distintos a partir da década de 1970. Enquanto alguns de seus artistas mantiveram-se identificados com o rock (Os Incríveis, Eduardo Araujo, Erasmo Carlos) e outros se mudaram para a música sertaneja (como Sérgio Reis), a grande maioria deles enveredou-se para a música romântica, de forte apelo popular. Foram os casos de Roberto Carlos, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Ronnie Von e Reginaldo Rossi (líder, durante a Jovem Guarda, da banda The Silver Jets). [3]
As estética Jovem Guarda, especialmente suas baladas, tiveram grande influência sobre uma nova geração de artistas da música popular brasileira a partir da década de 1970, como Odair José, Diana, em uma vertente que acabou sendo taxada por críticos de "música cafona".[3]
Antes disso, a Jovem Guarda foi a principal responsável pela introdução da guitarra elétrica e do orgão eletrônico por Lafayette, na música do Brasil, que acabou incorporada definitivamente com a Tropicália.[3]

Críticas

A Jovem Guarda foi diversas vezes acusada de se manter afastada das discussões políticas que sacudiam o Brasil durante os primeiros anos da ditadura militar no país. Era considerada música alienada pelo público engajado e setores da crítica mais afeitos a, primeiramente, à bossa nova e, depois, às canções de protesto dos festivais da emergente MPB.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h Jovem Guarda - Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
  2. . [S.l.: s.n.]. 13 e 14 p.
  3. a b c d e f g h i Jovem Guarda - Cliquemusic
  4. Júlio Medaglia. MUSICA, MAESTRO!: DO CANTO GREGORIANO AO SINTETIZADOR. [S.l.]: Editora Globo, 2008. 248 p. 8525031437, 9788525031433
  5. Paulo Sérgio do Carmo. Culturas da rebeldia: a juventude em questão. [S.l.]: Editora Senac, 2000. 43 p. 857359151X, 9788573591514
  6. Era uma brasa, mora? - Almanaque Brasil

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